terça-feira, 20 de maio de 2014

Do sonho ao quase pesadelo


Vou começar a contar uma coisa com algum atraso. Não contei antes, não por não querer partilhar, mas não queria deitar foguetes antes da festa.

Acho que referi que tinha conhecido um rapaz simpático no Grindr. Conversa puxa, conversa e acabamos por trocar de número de telefone. Fomos falando por mensagem durante alguns dias e entretanto resolvemos marcar um encontro para nos conhecermos pessoalmente.

Marcamos numa esplanada em Lisboa, num dia super quente. O Rúben foi com uma camisola de malha, porque ouviu a sua mãezinha a dizer que iria estar frio (quem disse que se deve sempre ouvir as Mães?). Mas lá fui e, com muito calor, o encontro foi-se estendendo. A conversa foi boa, sem momentos awkward e sem silêncios constrangedores. Falamos de vários assuntos, sem tabus nem preconceitos.  Percebi que ele era uma pessoa que pelo menos procurava o mesmo que eu, com interesses em comum, pouco promiscua e dotado de uns olhos azuis que me encantavam a cada segundo.

Da esplanada fomos passear para a baixa e acabamos mais tarde nos armazéns do chiado. Para terem ideia marcamos lá às três e cheguei a casa ás 22h e tal. Aquilo correu mesmo bem... Fiquei feliz.

Mais tarde, dois dias depois, marcámos um segundo encontro no parque das Nações. Ficamos por lá a conversar e resolvemos andar no teleférico. Aquilo tremia por todo o lado e sentados no mesmo banco os nossos olhares iam-se cruzando. Rapidamente eu ficava envergonhado e fingia distrair-me com algo à volta. Até que fiquei um pouco mais a olhar para ele, fomos-nos aproximando e pumba saí um beijo. Kind a romantic. Parámos quando o teleférico deu um salto num dos postes. Passado isto continuamos a passear, e aproveitamos os cantinhos escondidos para ir namorando. De mão dada, com uns beijos e uns amassos pelo caminho, lá me foi conquistando. 

Jantamos e cada um partiu para o seu caminho.

Alguns dias depois, resolvemos ir à praia. Ele estava de folga e lançou-me o desafio, que eu não demorei a aceitar. A praia estava muito boa, sem muita gente, embora a água estivesse muito fria. Enquanto lá estivemos fomos namorando e o ambiente aqueceu bastante. Ele provocou-me e eu respondi-lhe na mesma moeda. A química entre nós era evidente, o desejo estava estampado nos nossos olhares. Mais para o final do dia, era hora de regressar. Eu sentei-me no lugar do condutor, limpei os pés e calcei-me, ele no lado pendura fez a mesma coisa. Entrámos completamente para dentro do carro e qual iman fomos automaticamente atraídos um para o outro. As nossas bocas colaram-se e o desejo consumiu-nos. Quando reparei já ele estava a baixar o meu banco. Tudo avançou entre beijos e sexo oral. Não demos o passo seguinte, não era o local apropriado. E diga-se de passagem que o carro não é um sítio nada cómodo para estas coisas, pelo menos o meu, que não é muito grande. Tudo isto aconteceu sem qualquer planeamento.

No dia a seguir já havíamos marcado ir buscar os kits da color run. Demos um passeio pelo local. Notei-o menos provocador, mais distante. Já que tinha dormido pouco calculei que fosse o cansaço a falar mais alto. Fiquei com a pulga atrás da orelha, mas não quis dar muita importância ao assunto. Deixei-o em casa e despedimos-nos tal como era hábito, com um beijo prolongado.

No dia seguinte, dia da color run, encontramos-nos nas intermináveis filas para comprar o bilhete de comboio. Já que havia chegado mais cedo guardei lugar. Ele chegou com uma amiga. Mal me cumprimentou, estranhei. Sendo ele abertamente gay, e sem qualquer problema com isso, era no mínimo estranho. O dia foi passando e durante todo o tempo fui recebendo sinais contrários. Se por um lado achava que não estava a fazer um esforço suficiente para me enturmar no grupo de amigos dele, facto era que os apresentou todos. Foi comentando descaradamente alguns homens que iam passando, o que me irritou profundamente, mas ao mesmo tempo fazia questão que aparecesse em todas as fotos que iam sendo tiradas. Ia também olhando para mim de forma carinhosa quando os nossos olhares se cruzavam. Ao final do dia, depois de chegar a casa, o meu telemóvel teve uma coisinha má, bloqueou e ele não recebeu a mensagem a dizer que eu havia chegado. Abri o facebook e vi uma mensagem dele a dizer que estava preocupado. Foi ver o que se passava com o telemóvel, e entretanto recebi três mensagens e ele ligou-me. Atendi, disse que estava tudo bem e agradeci a preocupação. Ao que me respondeu que se preocupava comigo porque gostava de mim. Fomos falando por mensagem e pediu-me desculpa por nem sequer me ter dado um beijo. 

Ontem de manhã, tentei marcar com ele um passeio pois queria esclarecer o que havia entre nós. Ele sugeriu que víssemos um filme na casa dele e eu acedi. Quando cheguei disse-me para ir ter ao café e apresentou-me mais alguns amigos dele. Fiquei melindrado, pois voltou novamente a comentar um rapaz que passou. Fomos para casa dele, vimos um filme e depois alguns vídeos de um grupo de dança do qual ele fez parte. O ambiente aqueceu e não consegui ter a conversa que queria. Fizemos sexo. Desta vez com tudo incluído. 

No final, estávamos ambos felizes. Sorriamos um para o outro. Dançamos agarradinhos o listen da Beyoncé. Ele cantava em voz alta, até voltarmos a cair na cama. De olhos nos olhos, as palavras saíram-me da boca: Queres namorar comigo?

A resposta foi um sorriso e um "não sei". Levei para a brincadeira, disse-lhe para deixar de ser assim. De cara mais séria, voltou a dizer a mesma coisa e pediu-me para não ficar triste e dar-lhe um beijo. Disse-lhe que ele não merecia, mas lá lhe dei. Triste encostei-me a ele. Ganhei coragem e perguntei-lhe onde ficávamos, e o que é que eu era para ele. Disse que estava a tentar perceber o que sentia mas que gostava de mim, ou não me tinha apresentado a todos os seus amigos. Eu disse-lhe que gostava dele e que o namoro era precisamente para nos conhecermos melhor e percebermos os nossos sentimentos. Ele respondeu-me que era um compromisso. 

O ambiente ficou tenso, afinal de contas havia-me dito que o que andava a procura era uma relação e não um caso pontual. Começamos-nos a vestir, eu aguardei por ele e saímos. Eu ia para o metro, ele ia ao local de trabalho. Pelo caminho pediu-me para não ficar triste, e eu disse-lhe que era inevitável, que eu não pretendia uma amizade colorida, mas sim algo estável e ele sabia disso. Ele só me respondia eu sei, eu sei. Não consegui dizer mais nada, fiquei literalmente sem palavras. Ele pôs o braço por cima dos meus ombros e caminhamos até ao ponto de separação. Demos um beijo e vi os olhos dele vermelhos e esbugalhados. Estava a esforçar-se para não chorar. Separamos-nos e ele pediu-me para lhe dizer qualquer coisa.

Vim para casa, aquelas palavras a martelarem-me na cabeça. Era o fim, era isso? A custo conduzi até casa. Nunca este caminho me havia parecido tão longo. Mandei-lhe um sms a perguntar se aquilo havia sido o fim. Ele disse que não, se eu não quisesse. Disse que não queria, que o que houve entre nós não poderia acabar assim, mas que precisava de saber o que ele pensava, o que ele queria. Não me respondeu, até agora.

No carro, ainda, a R. ligou-me. Disse-lhe o que se havia passado em poucas palavras saídas entre lágrimas. Ela apercebeu-se e veio a correr ter comigo. Pela primeira vez desde que a conheço desatei a chorar abraçado a ela. É raríssimo eu chorar e até ontem acreditava que a única forma de me porém a chorar era fazer rir compulsivamente. Mais uma descoberta. Sentia-me de certa forma um pouco usado, triste e um pouco envergonhado até. 

26 comentários:

  1. muito sinceramente rúben, apresaste demasiado as coisas, tu estás a conhecer o rapaz e o rapaz está a conhecer-te a ti, não é em duas ou três semanas e em quatro ou cinco encontros que consegues perceber se realmente queres aquela pessoa ao teu lado, o que realmente sentes por essa pessoa. precisas de tempo, pelo menos eu precisaria e acredito que o rapaz sinta o mesmo.
    em tão pouco tempo perguntares logo ao rapaz para namorar, ainda para mais depois do calor do sexo em que tudo parece incrivelmente bom, não foi o melhor, podes até estar a por pressão no rapaz, pressão que ele pode não estar disposto a aguentar.
    se devias ou não ter feito sexo? isso só tu é que sabes, se calhar devido ao que sentes agora devias só ter feito depois de teres realmente certeza que isso é algo seguro ou então deves encarar o sexo como uma experiência e o percurso a seguir até algo mais seguro (se fosse eu, olharia mais como a segunda hipótese).
    isso que aqui escreveste não é nenhum pesadelo, o rapaz não fez nada de mal, simplesmente quer ter certeza do que faz, algo que também devias fazer, calma com as coisas, não há motivos para apressar nada.
    abraço rapaz!

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    1. Bom confesso que o teu comentário me fez ver o lado dele, pois acredito que de certa forma ele é capaz de pensar como tu. No entanto, as nossas ideias de namoro são um pouco diferentes. Para mim um namoro e um período que deve ser usado para as pessoas se conhecerem e para perceberem se querem ou não ficar juntas. Ou seja, não vejo o namoro como um pré casamento. Mas claro que envolve fidelidade, uma exclusividade. Quanto a altura para a pergunta, pareceu-me a adequada e sinceramente não acho que tenha sido uma má de todo. No seguimento do que ele me havia dito, que queria e pretendia, pareceu-me um rumo natural.
      Quanto ao sexo, eu não me arrependo minimamente. Fiz porque o quis fazer, fiz porque senti vontade de o fazer e dei este passo com ele porque senti que era a altura. Contudo, não consigo concordar contigo que o sexo venha garantir a segurança de um relacionamento. é uma parte sim, mas construir algo baseado em sexo não dá muito bom resultado pelo que oiço.

      Eu não acho que o rapaz me tenha feito mal, acho que podia ter lidado com a situação de outra forma, isso sim.

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  2. Vão saindo, conhecendo-se melhor e deixa correr as coisas com calma :D

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    1. A ver vamos se ainda dá para isso Francisco! :'(

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  3. Eu gostei sobretudo deste parte: " Percebi que ele era uma pessoa que pelo menos procurava o mesmo que eu, com interesses em comum, POUCO PROMISCUA (...) "

    Enfim, o que posso eu dizer? Cada um sabe de si. São dois adultos, tiveram sexo, se calhar precipitaste-te ao falar em namoro, afugentando-o um pouco. Talvez tenha se sentido mal ao ser confrontado com a possibilidade de entrar numa relação.

    Eu quero tudo menos situações destas. Tive algo parecido no Verão passado, embora já conhecesse o rapaz, e não foi através dessas redes do submundo. Não houve sexo e nem pedidos de namoro, mas afastámo-nos.

    Agora... não chores por quem não verteria uma lágrima por ti. :)

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    1. Sim precipitei-me um pouco Mark em relação ao pedido, não era a hora. Não o posso negar, por muito que queira.

      O não chorar é difícil. Embora queira pensar dessa forma, não o consigo evitar e deixar pensar que fui eu que estraguei tudo. Enfim...

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  4. Basicamente, estão a pedelar numa daqueles bicicletas com dois lugares, mas a velocidades diferentes. Têm de acertar o passo ou ver se vale a pena continuarem na mesma bicicleta...

    Acredita que tudo se irá recompor pelo melhor :)

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    1. Espero que sim, Horatius.
      Confesso que gostava que isto não acabasse assim, mas tenho de estar preparado para essa situação e parar de lamechices.

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  5. Olha caro Rúben, primeiro não te tens de sentir usado, triste ou envergonhado. Fizeste o que sentiste e seguiste o teu coração. Devemos ficar tristes ou usados, ou até mesmo envergonhados por seguir o nosso coração? Não me parece. Parece sim, que deves ficar triste ou envergonhado, ou até mesmo triste se ficasses no "se". Não quero criticar o miúdo, mas parece-me que ele também não sabe muito o que quer e concordo também com alguns comentários que já li que foi tudo muito repentino. Acredito que tenha existido interesse ou até mesmo atracção física. Agora amor... bom acredito mais em carinho à primeira vista do que em amor. Aliás, quando estamos mais carentes acabamos por confundir tudo e damos por vezes passos errados, mas imprescindíveis para o nosso crescimento e amadurecimento. Tem calma. Não desesperes. Se não foi, é porque não tinha que ser, mas percebo que estes eventos começam a minar toda a confiança que vamos tendo nos humanos (essa raça ignóbil)... mas ainda há boas pessoas e eu felizmente conheço muitas :) Grande abraço querido Rúben e tens toda a força do mundo aqui deste lado, se precisares.

    Ps. Ainda não respondi ao e-mail porque tenho tido o tempo muito reduzido, mas prometo colocar tudo em ordem.

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    1. Eu também não acho que tenha sido amor. Era muito cedo para falar em amor.
      De facto estou um bocadinho descrente no homem, mas enfim. The show must go on.

      Obrigado pela força Namorado, bem estou a precisar confesso. ;D

      Quanto ao mail. No problem ;)

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    2. Um dia "levo-te ao Fábio".

      Isto soou tão mal lllllllllloooooooollllllllllllll

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    3. Quem é o Fábio?

      De facto soou um bocadinho..lolol

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    4. Ah pois é! Mas ele não é hetero?

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    5. Mas o problema será mesmo não puder tirar um pedacito... lolol

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    6. Até parece que já não pensaste em tirar um pedacinho...lol

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    7. Eu??????????? LOL Na. Só com os olhos. E tirei vários LOL

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    8. Pois, pois que santinho... lol ;D

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    9. E a aureola, queres ver? LOLOL

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    10. LOL Não preciso de tantos acessórios, tenho encanto natural Rúben LOL

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    11. Eheheheh! Nada convencido o menino, estou a ver. LOLOL XD

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