quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Estarei errado?!


Esta semana na minha faculdade realizou-se um espécie de feira de emprego, onde, na teoria, um conjunto de empresas procura recrutar os melhores talentos da faculdade para ingressar nas suas fileiras. Nesta feira, as empresas montam uma banquinha, com brindes e tentam esclarecer os alunos sobre os seus processos de recrutamento e aquilo que fazem... paralelamente essas empresas fazem uma apresentação num auditório onde também esclarecem estas dúvidas.

Claro eu aproveitei o momento e fui a algumas apresentações. Estranhamente, ou não, a grande maioria das empresas são de auditoria ou de consultadoria, e orgulham-se de dizer que recrutam muita gente anualmente. Estas empresas são conhecidas no meio por explorarem os seus funcionários. E não, não considero que esteja a exagerar. Ora vejamos. Em geral os funcionários têm cargas abismais de trabalho, em jornadas de trabalho que chegam a durar mais de 12 horas e em que muitas vezes ainda existe trabalho de casa.  Em termos salariais, verdade seja dita, que não pagam um ordenado mínimo, mas também não ultrapassa os 800/900€ mensais. Também é verdade que ter no currículo uma destas empresas por dois ou três anos abre portas para qualquer lado... mas são dois ou três anos de imenso sofrimento.

Desde que acabei a licenciatura sempre achei que isto não era para mim. E hoje mantenho a minha posição, apesar de as circunstâncias terem mudado bastante. Na altura eu não me aceitava como gay e achava que tinha de ter uma carreira de sucesso e ganhar muito bem para compensar o facto de acabar sozinho. Hoje a minha opinião é diferente... Obviamente quero ter algum sucesso no que faço, ganhar o suficiente para poder ter uma vida desafogada, mas não quero ter um trabalho para definir quem eu sou. Quero poder chegar a casa e ter tempo de ir ao ginásio, ou ver um filme ou simplesmente não fazer rigorosamente nada e não estar a pensar que já é tardíssimo e eu ainda tenho trabalho para fazer. 

Numa das apresentações, de uma consultora, a oradora começa a esclarecer que a empresa tem bastantes espaços de convívio para os seus funcionários, com video jogos e coisas do género. Toda a gente a pensar: baril parece interessante. Depois a seguir diz que têm de ter porque os funcionários tem uma carga de trabalho imensa que os leva a passar horas na empresa e que por exemplo a sexta é normal que ninguém saia antes das 22h da noite! Mas isto com o ar de orgulho fenomenal...

Agora eu ponho-me a pensar para os meus botões. Estarei errado na minha forma de pensar? Deveria andar desejoso que me aceitassem numa empresa destas? Deveria eu ser feliz por ser explorado? é que muita gente naquela faculdade pensa que estas empresas são o expoente máximo do mercado de trabalho e eu tenho a ideia precisamente oposta.

17 comentários:

  1. Não concordo contigo em tudo. O trabalho é parte da nossa vida. Não é a nossa vida. Como digo aos meus colegas, para mim é sempre mais interessante o que faço depois do horário do expediente, porque é ai que começa a minha vida mesmo. Um trabalho serve para eu ganhar dinheiro para fazer as coisas que gosto. E atenção: adoro trabalhar, estar ocupado, ter responsabilidade e ter prazer nisso, mas colocar tudo isso no lugar que deve estar.

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    1. Bem pelo menos não sou o único, já andava a ficar abismado com isto! lol

      Abraço Meninos ;-)

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  2. E não deixar que ele nos consuma...!
    Disciplina-te, Inefável Maria, disciplina-te! xD

    Abraço, querido Rúben :-D

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    1. Exactamente Inefável, é bom saber dosear um bocadinho!

      Mas eu acho que tu vais arranjando tempinho para te divertires, não?! lol

      Abraço Inefável :D

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    1. Eheheh! Eu percebi que devia ser isso, aquilo não estava a dar a bota com a perdigota! lol

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  4. Há trabalho e trabalho. Essas empresas mantêm lucros abismais à conta da exploração dos trabalhores...

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    1. é bem verdade Horatius! é que a maioria das vezes estas unidades de grandes multinacionais, são das mais lucrativas da Europa. Em termos relativos claro!

      Enfim, mas cada um sabe de si!

      Abraço Horatius ;-)

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  5. Mentalidades de pobres.

    Na Europa se saíres depois do horário de trabalho, és um incompetente porque não consegues fazer o trabalho naquele período.

    Em Portugal se sais a horas, és um mandrião, porque nem dás graxa ao chefe

    Abraço amigo e boa sorte

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    1. Nem, mais Francisco! Está ideia de que quanto mais horas extraordinárias se faz melhor funcionário se é, é uma mania portuguesa!

      Abraço ;-)

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  6. viver para trabalhar também não é o meu mote de vida...

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    1. Junta-te ao grupo iLoveMyShoes! lol

      Abraço ;-)

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  7. conheço pessoas que gostam de trabalhar em consultadorias... mas não eu.
    quando vim para lisboa vim para uma que fez-me uma proposta e epá.. depois de lá estar percebi que o meu salário estava a ser filtrado em 200 ou 300 euros. não aceitava isso então passado um mês e pouco pus-me a andar.

    quase todas as semanas recebo emails de consultorias que andam à caça de colaboradores.. mas nah, não voltarei a trabalhar para nenhuma.

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    1. Pois é que a rotatividade nessas empresas é enorme! Tal como te aconteceu a ti as pessoas entram e quando se apercebem do que aquilo é põe-se a milhas! Daí que eles passem a vida à procura de colaboradores!

      Abraço Aaron ;-)

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  8. Eu até acho que as empresas de consultoria são boas escolas. Dão formação que nunca mais acaba, e para quem está a sair da faculdade podem ser uma rampa de lançamento. Por outro lado, exploram os putos novos até mais não, é um facto, mas é preferível seres explorado e aprenderes agora do que mais tarde.

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    1. Sem dúvida Coelhinho! As empresas de consultoria são das melhores escolas e dão uma força enorme a qualquer CV. Mas a parte da exploração, para mim pesa horrores!

      Abraço :D

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